🏚️ 27% de aumento nas casas. Parabéns ao mercado. E agora, quem pode viver nelas?
E há quem trate isto como se fosse um indicador de “confiança”, “dinamismo” ou “boa saúde do mercado”.
Eu chamo-lhe outra coisa: falhanço político com selo neoliberal.
Porque quando os preços sobem 27% num país de salários baixos, precariedade estrutural e jovens eternamente adiados, isso não é crescimento — é exclusão organizada.
📈 Subir preços não é progresso. É sintoma.
O discurso oficial tenta convencer-nos de que isto é “o mercado a funcionar”.
Mas o mercado, quando funciona sem regras, não serve pessoas — serve capital.
Incentivou-se a procura (isenções, garantias públicas, facilidades de crédito),
mas não se criou oferta pública, nem se travou a especulação, nem se protegeu quem vive e trabalha cá.
Resultado previsível?
Mais pressão, mais inflação imobiliária, mais desigualdade.
Economia básica. Ideologia avançada.
🧱 Habitação deixou de ser direito — passou a ativo financeiro
Hoje em Portugal:
-
jovens trabalham para pagar rendas impossíveis;
-
famílias são empurradas para fora das cidades;
-
centros históricos transformam-se em montras turísticas;
-
e quem vive do seu trabalho é tratado como dano colateral.
Mas tudo bem — desde que o “mercado esteja saudável”.
Saudável para quem?
🏘️ O problema não é falta de casas. É falta de coragem política.
Falta coragem para:
-
regular seriamente o mercado;
-
travar a especulação predatória;
-
investir em habitação pública e cooperativa;
-
devolver função social ao território.
O resto são anúncios, gráficos coloridos e manchetes simpáticas.
⚠️ Chamemos as coisas pelo nome
Um aumento de 27% nos preços da habitação não é sucesso económico.
É um sinal de falência social.
E enquanto se continuar a confundir “crescimento” com “exclusão”, o país vai ficando cada vez mais bonito para visitar… e cada vez mais impossível para viver.

Comentários